Linha de montagem
O chassi passou a andar até o operário, o tempo de cada gesto foi fatiado, e o preço do bem durável despencou.
Contexto histórico
Matadouros de Cincinnati e Chicago já moviam carcaças em trilhos no século XIX; relógios e armas flertavam com peças intercambiáveis. Henry Ford e a equipe de Highland Park, em 1913, inverteram o problema do automóvel: em vez de times circulando em torno de um carro parado, o carro é que avançava. Esteiras, escorregadores e cronômetros fecharam o ciclo em horas, não em dias.
O Modelo T barateou até caber no salário de quem o fabricava — política deliberada de Ford. O método se espalhou por eletrodomésticos, rádios e, depois, por quase todo bem de massa. Chaplin satirizou; os sindicatos negociaram o ritmo. A linha ficou.
Como funciona
O produto é decomposto em estações. Cada posto recebe o conjunto no estado certo, executa um gesto curto e o devolve à esteira. Estoques intermediários, gabaritos e ferramentas específicas reduzem a escolha do operador. O balanceamento da linha — não deixar um posto ocioso enquanto outro transborda — é o problema permanente. Paradas em cascata ensinam o preço do desequilíbrio no chão.
Impacto na sociedade
O bem durável saiu da oficina e entrou no catálogo de massa. Salários altos e preços baixos, no arranjo de Ford, criaram o operário-consumidor. Cidades cresceram em torno de pátios de montagem. O trabalho ganhou repetição extrema e, com ela, lesão, tédio e greve.
Mesmo fábricas robotizadas ainda pensam em fluxo. Entrega justa a tempo e plataformas flexíveis são críticas à linha rígida, não o abandono da ideia. No século XX material, a montagem em movimento é o sistema da produção.
Curiosidade
O tempo de montagem do T caiu de mais de doze horas para cerca de uma hora e meia em poucos anos. Ford contratou cinegrafistas para estudar gestos — o mesmo olhar que o cinema cômico depois usou contra ele.
Por que esta posição. Lidera porque organiza o chão de fábrica do século. Sem linha, materiais novos e lazer de massa teriam faltado volume. É método, não aparelho — e o século XX foi, antes de tudo, um século de métodos.