Os computadores e rádios da década de 1940 dependiam de válvulas: grandes, frágeis, quentes, com vida curta. Os Bell Labs queriam um relé de estado sólido para centrais telefônicas. Em dezembro de 1947, John Bardeen e Walter Brattain obtiveram amplificação num ponto de contato sobre germânio. William Shockley desenvolveu em seguida o transistor de junção, mais robusto e fabricável.
Invenções tecnológicas
Componentes e sistemas que tornaram o cálculo, a rede e o software parte da infraestrutura cotidiana.
A segunda metade do século XX deslocou o centro da invenção do tear e do trilho para o elétron, o bit e o protocolo. Válvulas deram lugar a cristais; cristais, a pastilhas; pastilhas, a máquinas que cabiam numa mesa e, depois, a redes que atravessavam oceanos. Eletrônica, computação e redes digitais não apenas aceleraram o cálculo: tornaram o cálculo uma utilidade, tão esperada quanto a luz no interruptor.
Este ranking ignora transportes e medicina de propósito. O critério é outro: o que tornou possível guardar, processar e trocar informação em escala planetária. Transistor, chip, sistema operacional, hipertexto e criptografia formam uma linhagem. Sem ela, o mundo contemporâneo teria motores e hospitais — e continuaria analógico no nervo que hoje organiza bancos, jornais, arquivos e conversas.
Com transistores avulsos, montar um computador significava soldar milhares de encapsulamentos. Cada solda era um ponto de falha — a chamada tirania dos números. Em 1958, Jack Kilby, na Texas Instruments, demonstrou que resistores, capacitores e transistores podiam nascer no mesmo bloco de germânio. Meses depois, Robert Noyce, na Fairchild, completou a ideia com o processo planar de silício e trilhas metálicas depositadas.
A Intel foi contratada por uma fabricante japonesa de calculadoras para um conjunto de chips especializados. Ted Hoff sugeriu o contrário: um único processador de uso geral, cujas funções mudariam com o programa. Federico Faggin liderou o silício; Stanley Mazor e Masatoshi Shima completaram a arquitetura. O Intel 4004 chegou em 1971 com cerca de 2.300 transistores.
Computadores eram bens de capital. Tempo de máquina se agendava; operadores vestiam bata. O Altair 8800, kit de 1975, mostrou que havia quem montasse o próprio gabinete em casa. O Apple II, em 1977, chegou com teclado, vídeo e caixa pronta. O IBM PC de 1981, com arquitetura aberta e peças de terceiros, fixou o padrão que clones copiaram por décadas.
A internet já existia havia duas décadas, fatiada em serviços que exigiam comandos específicos. No CERN, Tim Berners-Lee propôs em 1989 um jeito de amarrar a documentação dispersa do laboratório: um endereço universal, um protocolo de transferência e uma linguagem com elos clicáveis. Em 1990–1991 o primeiro servidor e o primeiro navegador executavam essa tríade num computador NeXT.
Nos primeiros computadores, cada tarefa assumia a máquina inteira. Operadores empilhavam cartões; um erro de um programa podia corromper o próximo. Sistemas em lote dos anos 1950 e 1960 — em IBM, Manchester, MIT — começaram a encadear jobs, tratar periféricos e isolar falhas. A multiprogramação nasceu da necessidade de não deixar o processador ocioso enquanto um disco girava.
Engelbart, no Stanford Research Institute, demonstrou em 1968 — a “mãe de todas as demos” — um sistema com mouse, janelas e trabalho cooperativo. O mouse, patenteado em 1963–1967, era uma caixinha de madeira com duas rodas. No Xerox PARC, no início dos anos 1970, a ideia virou ambiente completo: ícones, menus, sobreposição de janelas no Alto e no Star.
Já existiam recados locais em time-sharing. O salto de Tomlinson, na BBN, em 1971, foi mandar texto de um computador a outro na ARPANET, usando o sinal @ para separar pessoa e sítio. O protocolo era tosco; o gesto era claro. Em poucos anos o correio eletrônico virou o serviço que justificava uma conta na rede para quem não compilava código alheio.
Einstein descreveu a emissão estimulada em 1917. Nos anos 1950, Townes e, em paralelo, Basov e Prokhorov construíram o maser, versão em micro-ondas. Schawlow e Townes apontaram o caminho para a luz visível. Theodore Maiman, em maio de 1960, obteve o primeiro laser com um rubi sintético e uma lâmpada de flash — montagem que muitos julgavam inviável.
Chuck Hull, trabalhando com resinas ultravioleta, percebeu que podia solidificar um líquido ponto a ponto e empilhar fatias até formar uma peça. A estereolitografia foi patenteada em 1986; a 3D Systems nasceu para vendê-la. Outros processos — sinterização a laser, deposição de filamento — chegaram na mesma geração e alargaram os materiais.
Criptografia clássica exige que remetente e destinatário já partilhem uma chave. Em rede aberta, esse encontro prévio é o problema. Em 1976, Whitfield Diffie e Martin Hellman publicaram o princípio da troca assimétrica. Em 1977–1978, Ron Rivest, Adi Shamir e Leonard Adleman materializaram o RSA, baseado na dificuldade de fatorar inteiros grandes.
Frank Rosenblatt apresentou o perceptron em 1958, uma máquina que classificava imagens simples ao reforçar conexões. O entusiasmo esfriou quando se mostrou que uma camada só não resolvia problemas linearmente inseparáveis. O inverno da pesquisa durou anos. Em 1986, David Rumelhart, Geoffrey Hinton e Ronald Williams popularizaram a retropropagação em redes profundas o bastante para furar esse teto.