Computador pessoal
A máquina de uso geral saiu da sala climatizada e pousou na mesa de um indivíduo, com teclado, vídeo e programas próprios.
Contexto histórico
Computadores eram bens de capital. Tempo de máquina se agendava; operadores vestiam bata. O Altair 8800, kit de 1975, mostrou que havia quem montasse o próprio gabinete em casa. O Apple II, em 1977, chegou com teclado, vídeo e caixa pronta. O IBM PC de 1981, com arquitetura aberta e peças de terceiros, fixou o padrão que clones copiaram por décadas.
Nenhuma empresa inventou o computador pessoal sozinha. Clubes de hobby, a revista Popular Electronics e uma geração de programadores de garagem fizeram o mercado existir antes do departamento corporativo perceber. Quando percebeu, o escritório já não era o mesmo.
Como funciona
Microprocessador, memória volátil, armazenamento, vídeo e entrada se integram numa máquina individual. O sistema operacional abstrai o hardware; aplicativos resolvem tarefas sem que o usuário escreva código de máquina. Barramentos padronizados permitem placas de terceiros. Fontes e conectores comuns deixaram o hobbyista trocar uma placa sem mandar o gabinete inteiro de volta à fábrica.
Impacto na sociedade
Planilhas justificaram a compra para contadores; processadores de texto, para redações e escritórios. Pequenas empresas ganharam ferramentas que antes pediam um departamento de informática. Uma geração aprendeu a programar sem pedir hora num mainframe.
A descentralização é o efeito cultural decisivo. Computação virou propriedade, não serviço de balcão. Essa mudança de dono é o que tornou imaginável a web doméstica e o software como bem de consumo.
Curiosidade
O VisiCalc, em 1979, foi o primeiro programa capaz de justificar sozinho a compra da máquina, e vendeu muitos Apple II para contadores. A IBM, ao abrir o PC para clones, perdeu o controle do padrão que ela mesma lançou.
Por que esta posição. Entra alto porque muda o sujeito da computação. Mainframes calculavam para instituições; o PC calcula para uma pessoa. Sem essa migração, redes e software de massa não teriam terminal nas casas.