Nylon
A primeira fibra sintética comercial de grande sucesso tirou a seda do monopólio do bicho e entrou na meia, na corda e no dente.
Contexto histórico
Wallace Carothers, na DuPont, vinha estudando polímeros lineares quando, em 1935, obteve uma poliamida capaz de ser fiada em fio elástico e resistente. A empresa batizou de nylon e, em 1938–1940, lançou a meia feminina como espetáculo de consumo. A Segunda Guerra desviou a produção para paraquedas, cordas e pneus.
Carothers, atormentado por depressão, morreu em 1937 e não viu o boom. O nylon ensinou o público a aceitar um tecido de laboratório no corpo. Poliéster e outras fibras vieram na esteira; a porta cultural foi essa. A marca nasceu de listas de sílabas inventadas até soar limpa em vários idiomas.
Como funciona
Diamina e diácido, ou equivalentes, se condensam em cadeias longas de poliamida. O polímero fundido passa por fieiras, estira-se e alinha as cadeias; ligações de hidrogênio entre elas dão resistência e memória elástica. O fio pode ser monofilamento — a linha de pesca, as cerdas da escova — ou multifilamento têxtil. Tingir e texturizar o fio é tão industrial quanto a autoclave em que a cadeia nasce.
Impacto na sociedade
Meias baratas, cordas que não apodrecem como o cânhamo e escovas de dente com cerdas regulares entraram no banheiro e no armário. A moda ganhou um material que seca rápido e rasga de outro modo. A guerra mostrou o uso estrutural; a paz, o íntimo.
Microplásticos e dependência de petróleo são o verso da medalha. Ainda assim, o nylon é o polímero que o século sentiu na pele. Sem ele, o gabinete de baquelite teria ficado sem o tecido que o acompanha no corpo.
Curiosidade
Filas para meias de nylon em 1940 viraram notícia de rua. No pós-guerra, tumultos por pares em falta registraram brigas em calçadas. Poucos polímeros geraram fila e tumulto com tanta rapidez.
Por que esta posição. Entra alto entre materiais porque vestiu o século, não só o isolou. Fibra sintética de massa muda lavanderia, moda e suprimento de guerra. É o hábito de aceitar o sintético no corpo.