Sextante
Dois espelhos e um arco de sessenta graus permitiram medir a altura do Sol ou de uma estrela no tombadilho, com o horizonte visível ao mesmo tempo.
Contexto histórico
O quadrante de Davis e o octante antecedem o sextante. Em 1730–1731, John Hadley, na Inglaterra, e Thomas Godfrey, na Filadélfia, chegaram de forma independente ao arranjo de dupla reflexão que estabiliza a medida no navio que balança. O sextante propriamente — arco de 60° que cobre 120° de ângulo — consolidou-se como padrão náutico no século XVIII.
O instrumento é a resposta óptica ao problema que o cronômetro resolverá no tempo: sem altura confiável do astro, não há reta de posição.
Como funciona
Um espelho indexado gira com a alidade; um espelho fixo é semi-prateado, de modo que o observador vê o horizonte e, sobreposto, o astro. Quando os dois coincidem, o ângulo lido no limbo é a altura. A dupla reflexão reduz o efeito do balanço: o astro 'gruda' no horizonte se o pulso acompanhar. Filtros protegem o olho no caso do Sol. A precisão de minutos de arco exige limbo bem gravado e pernas firmes — ou um céu e um horizonte limpos.
Impacto na sociedade
A navegação astronômica deixou de ser aposta de piloto experiente e virou procedimento ensinável. Rotas oceânicas ficaram menos letais, embora ainda perigosas. Impérios marítimos do século XVIII–XIX dependem dessa rotina tanto quanto do casco de cobre.
Na história dos instrumentos, o sextante é o astrolábio tornado específico do mar: menos mapa do céu, mais goniômetro de horizonte. A ciência de posição ganha um aparelho que aceita o tombadilho como laboratório. Sem essa aceitação, a longitude de Harrison não teria altura com que se cruzar.
Curiosidade
A coincidência Hadley–Godfrey é um caso de invenção simultânea bem documentado, com sociedades científicas dos dois lados do Atlântico. O mar, ao que parece, cobrava o mesmo aparelho em dois estaleiros ao mesmo tempo.
Por que esta posição. Sétimo, no bloco da navegação, porque torna a altura um dado de tombadilho. Sem ele, o cronômetro de Harrison marcaría a hora certa de um ponto incerto. A ordem — astrolábio, depois sextante, depois cronômetro — segue a especialização do céu em coordenada marítima.