Tijolo queimado
O tijolo queimado no forno resistiu à umidade melhor que o adobe e deu às cidades da Mesopotâmia paredes, arcos e zigurates duráveis.
Contexto histórico
Na planície do Tigre e do Eufrates quase não há pedra de construção. O barro, porém, é infinito. Adobe seco ao sol ergueu aldeias neolíticas; a chuva e a capilaridade o devolvem ao lodo. Queimar o tijolo no forno, prática suméria e acadiana bem documentada no terceiro milênio a.C., produz uma unidade cerâmica que aguenta alicerce, revestimento e piso de rua.
O tijolo de forno era caro em combustível — palha, arbusto, esterco, mais tarde carvão vegetal — e por isso aparecia nas faces externas, nos templos e nas vias processuais, enquanto o núcleo das muralhas seguia em adobe. Babilônia levou o contraste ao extremo: esmalte azul sobre tijolo queimado na Porta de Ishtar.
Como funciona
Argila selecionada, desengordurada com areia ou palha, é moldada em forma padronizada e seca antes da queima. No forno, a sinterização parcial vitrifica a superfície e reduz a porosidade. Dimensões regulares permitem fiadas travadas, juntas de betume ou de argamassa e arcos verdadeiros. O padrão metrológico — o tijolo como módulo — é tão importante quanto a química do barro: a cidade vira um múltiplo de uma peça de mão.
Impacto na sociedade
Com tijolo, a Mesopotâmia construiu altura e densidade sem pedreira. Zigurates, palácios e canais de tijolo revestido definiram o horizonte urbano. O mesmo módulo viajou com o império: da Suméria à Assíria, o tijolo é língua franca da obra pública.
A alvenaria cerâmica permanece, com variantes, o material mais comum de parede no mundo. O tijolo queimado antigo é o ancestral direto do tijolo de alvenaria contemporâneo — inclusive no vício de medir a casa em fiadas e no hábito de esconder o adobe barato atrás de uma face mais nobre.
Curiosidade
Muitos tijolos mesopotâmicos trazem o carimbo do rei: uma inscrição que transforma a parede em propaganda. Nabucodonosor II mandou carimbar dezenas de milhares. Arqueólogos leem a obra pública pelo texto na cerâmica, não só pelo plano do edifício.
Por que esta posição. Cidades deste ranking são, em grande parte, pilhas de barro cozido. O sétimo lugar reconhece o material que tornou a planície aluvial edificável em permanência. Sem pedra, o forno do oleiro faz as vezes de pedreira e o módulo da fiada vira a unidade com que se pensa o muro.